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CHEIRO E NUDEZ |
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Começo este texto consciente que existo ( pequeniiiiino... ) vida provisória na Via Láctea. Sempre fico perplexo diante da disposição harmônica do Universo após o Big Bang. Presente, passado, futuro, infinito são de pirar! Sou a soma das experiências e evolução do Homem ( id, ego... ). E meus cinco sentidos fazem de mim único ( apesar da clonagem de gens ) no mundo. Não sendo um expert em ciências, acho instigante um deles: o olfato. Desde criança ele, em parte, fez de mim alguém sensível a manifestar hormônios, feromônio. Gostava do cheiro que exalava de meu pênis ao masturbar-me. Ou do suor de minhas axilas. E sem nojo confesso que curtia meus “puns” e cerume dos ouvidos. Era caçado para os banhos diários. Mas, não me tornei um troglodita cascão na vida. Crescendo, à mercê de regras e condicionamentos, fui obrigado a disfarçar tais odores para não incomodar. E hoje, animal racional adulto, sou incitado pelos perfumes que se espalham no ar. Em minha memória, repleta de imagens do passado, elas retornam saudosas, de quando em vez, por isso. |
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No filme “Império dos Sentidos” de Nagisa Oshima os lençóis da cama são intocáveis pois estão impregnados pelo aroma de corpos dos obsessivos amantes... Contemplo meu cachorro. Lambe-se e o próprio regurgito. Vigia as fezes que expele. E urina marcando território. Já fomos assim um dia? Para encerrar: por que certas donas fotografadas sem calcinha causam tanto furor? Claro que sabemos o porquê! Fantasia da mente. Elas alegam, defendendo-se: marca o vestido, sensualidade... E pensar que o ser humano nasce puro, em completa nudez.
PABLO RIBEIRO |