A PROSTITUIÇÃO  

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     “Era uma vez a Prostituição. Conhecida como a ‘profissão’ mais antiga do mundo manifestou-se, psiquicamente, primeiro nas mulheres.  E assim, através da história, da política, na sociedade, foi desenvolvendo-se até chegar aos dias de hoje: em casas de massagem, saunas, serviço a domicílio... Dos famosos bordeis e cortes luxuosas às sombrias ruelas  sobreviveu às repressões de três poderosos inimigos: a lei, a moral, a religião. Em conluio com a Corrupção, misturou-se a esses adversários causando-lhes sério conflito. As ideologias de esquerda consideram-na uma célula cancerosa e devastadora do capitalismo selvagem. Possui duas parceiras, muitas vezes fatais, a Doença e a Droga. Tem por mestre o Ego. Dramatizada em roteiros cinematográficos, apareceu nas películas: AS NOITES DE CABÍRIA de Federico Fellini ( 57 ), EM ROMA NA PRIMAVERA de José Quintero ( 61 ), MIDNIGT COWBOY de John Schlesinger ( 69 ), PRETTY BABY de Louis Malle ( 77 ), GAROTOS DE PROGRAMA de Gus Van Sant ( 91 ), DIÁRIO DE UM ADOLESCENTE de Scott Kalvert ( 95 ), SONNY, O AMANTE de Nicolas Cage ( 2002 ), ANJOS DO SOL de Rudi Lagemann ( 2006 ), etc...”

       Nos anos setenta, no Brasil, houve um  fluxo maior de homens interessando-se por ela. O livro “O NEGÓCIO DO MICHÊ” de Nestor Perlongher  faz um estudo detalhado sobre essa prática  da Prostituição Viril.

      Neste século XXI, as academias de musculação lotam de rapazes saudáveis e  bem “dotados” que modelam os corpos, também, para ganhar dinheiro: transando, sendo go go boys, strippers, atores pornôs... Sem se assumirem homossexuais ( barbies ) afirmam serem putos sim, mas não veados. Fazem tudo por grana, não por sentimento. Carinho, beijo na boca só em mulheres. Intitulam-se, portanto, bissexuais. Deixam o título de michê ( bofe ) para os irmãos que se viram nas esquinas, cinemas, banheiros públicos. São Garotos de Programa e alguns de luxo ( scort boys ). Têm namorada, esposa, filhos.             

Mentem para a família e amigos que são modelos. Provêm do Rio Grande do Sul, Paraná, Nordeste para se venderem em São Paulo ( capital ).

       Um surfista trintão declara: ‘gosto mais de atender donas. Os clientes ( não os recuso ) são pegajosos, se vêem a gente se dar bem têm inveja, ciúmes.’ Outro garotão, universitário, confessa: ‘um cara se amarrou em mim, é cheio de dolares, vai me levar para Miami’ e mostra o nome dele tatuado na panturrilha: Tony. Há os que defendem a tese: ‘veado e mulher velha têm que pagar mesmo!’Criam tabela de peço: ‘aceitamos fazer “passivo”, porém para gozar custa bem mais caro’...

       E desse universo sofisticado, excêntrico, rentável, marginal,  em que se tornou a Prostituição, retiramos a seguinte pérola: ‘gosto de bunda, não de cu!...’

 

Pablo Ribeiro